O mercado de pagamentos digitais ganhou mais um capítulo relevante. A Visa anunciou um serviço global de consultoria em stablecoins, mirando bancos, fintechs e grandes empresas que desejam integrar moedas estáveis à sua rotina de pagamentos.
A empreitada surge em meio a um salto nas liquidações com ativos digitais, sinalizando que as stablecoins estão deixando de ser nicho e virando pilar estratégico do sistema financeiro. A seguir, veja como a nova oferta pretende destravar projetos e o que muda para o setor.
Como funciona o serviço de consultoria em stablecoins da Visa
A Stablecoins Advisory Practice foi criada dentro da divisão Visa Consulting & Analytics (VCA). O pacote inclui treinamentos, avaliação de mercado, desenho de estratégias regulatórias e suporte técnico para implementação em escala.
De acordo com a empresa, já não é opcional ter um plano para stablecoins: instituições que ignoram o tema podem perder competitividade em pagamentos transfronteiriços, liquidação financeira e novos modelos de negócio baseados em blockchain.
Os primeiros clientes confirmados são a Navy Federal Credit Union e a Pathward. A cooperativa norte-americana, com 15 milhões de membros, quer entender como a tecnologia pode gerar valor direto para seu público.
Principais números que motivam a iniciativa
• Volume anualizado de liquidações em stablecoins processadas pela Visa: US$ 3,5 bilhões até 30 de novembro.
• Mercado global de stablecoins: mais de US$ 250 bilhões em capitalização.
• Receita da Visa nos últimos 12 meses: alta de 11,34%, com margem de lucro bruto de 97,77%.
Esses dados reforçam a convicção da companhia de que blockchains e moedas estáveis são parte central da infraestrutura de pagamentos do futuro.
Impacto para bancos, fintechs e usuários finais
A consultoria pretende acelerar a curva de aprendizado das instituições. Em vez de começar do zero, os clientes recebem roteiros padronizados, boas práticas regulatórias e integração pronta com produtos como Visa Direct, que já testa liquidações em USDC desde 2023.
Imagem: Internet
Entre os benefícios apontados estão redução de custos em remessas internacionais, liquidação quase instantânea e novas fontes de receita com programas de cartão lastreados em stablecoins – a Visa já suporta mais de 130 iniciativas desse tipo em mais de 40 países.
Para o consumidor final, a expectativa é de pagamentos mais rápidos, taxas menores e acesso simplificado a serviços globais. No entanto, tudo depende da capacidade dos reguladores de dar segurança jurídica aos emissores e usuários.
Além da frente de stablecoins, a Visa segue ativa em outras frentes estratégicas: iniciou operações na Síria após acordo com o banco central local, mudou a sede europeia para Canary Wharf, em Londres, e aguarda aprovação judicial de um acordo antitruste sobre taxas de intercâmbio nos Estados Unidos.
A movimentação não passou despercebida pelo mercado. O BofA Securities elevou a recomendação das ações da Visa para compra, enquanto o UBS ajustou o preço-alvo para US$ 425, projetando crescimento de receita em dois dígitos baixos no ano fiscal de 2026.
Para quem acompanha o universo de cartões, milhas e finanças, especialmente os leitores do portal Cartão e Milhas, fica o alerta: stablecoins podem em breve fazer parte do dia a dia de quem viaja, acumula pontos ou busca alternativas de pagamento internacional. A iniciativa da Visa indica que a corrida pela adoção institucional já começou, e as instituições brasileiras devem se movimentar em breve para não ficar atrás.







