O pregão desta terça-feira, 24 de fevereiro, terminou com todas as ações de fintechs brasileiras listadas nos Estados Unidos no campo positivo. Depois de um tombo coletivo na véspera, o grupo encontrou espaço para reação diante de um dia de menor aversão a risco em Wall Street.
No centro dos holofotes ficou o PicPay, que disparou quase 8% na Nasdaq logo após receber cobertura favorável de dois grandes bancos. O desempenho animou investidores interessados em ações de fintechs brasileiras e ajudou a puxar os demais papéis do setor.
Ações de fintechs brasileiras: PicPay brilha e Inter acompanha
O PicPay (ticker PICS) fechou em US$ 16,81, alta de 7,69%. Na máxima do dia, às 12h40, chegou a US$ 17,21; na abertura tocou a mínima de US$ 15,77. O impulso veio de relatórios do Citi e do banco japonês Mizuho, que iniciaram cobertura com recomendação de compra. Os alvos de preço definidos — US$ 28 e US$ 30, respectivamente, até o fim de 2026 — mostram espaço considerável para valorização adicional.
Logo atrás, o Inter (INTR), também na Nasdaq, avançou 4,70% e encerrou a sessão cotado a US$ 8,91. No pior momento, logo na largada, a ação recuou a US$ 8,54, mas se recuperou gradualmente até alcançar US$ 8,96 no início da tarde. O movimento compensou parte da queda de 8% registrada na segunda-feira.
A XP Inc. (XP), negociada na Nyse, ganhou 3,50% e fechou a US$ 22,45. O papel tocou a mínima de US$ 21,36 na abertura e bateu o pico de US$ 22,53 às 15h45.
PagBank, Stone, Nubank e Agibank também sobem
Entre as demais fintechs, o PagBank (PAGS) avançou 3,41%, terminando a US$ 10,93 após oscilar entre US$ 10,52 e US$ 10,97. A StoneCo (STNE) acumulou 2,52% de alta, fechando a US$ 17,08 e chegando a US$ 17,18 perto das 15h44.
O Nubank (NU) subiu 2,01%, para US$ 16,53. A ação chegou a recuar até US$ 15,89 pouco depois da abertura, mas ganhou força e bateu US$ 16,57 minutos antes do encerramento. Já o Agibank (AGBK) teve o avanço mais modesto: 0,42%, finalizando a US$ 12 após ter tocado US$ 11,55 pela manhã.
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Cenário externo alivia e favorece papéis de tecnologia financeira
A sessão positiva coincidiu com a entrada em vigor das novas tarifas globais anunciadas pelos Estados Unidos. A alíquota de 10%, inferior aos 15% inicialmente mencionados pelo presidente Donald Trump, foi confirmada em documentos oficiais depois de decisão da Suprema Corte que barrou parte do pacote tarifário previsto para abril de 2025. A sinalização de um impacto econômico menor reduziu a sensação de risco entre investidores.
Mesmo assim, Trump voltou a mencionar a possibilidade de sobretaxas adicionais por razões de segurança nacional, citando setores como baterias, químicos, telecomunicações, aço e alumínio. O mercado acompanha de perto o tradicional discurso sobre o Estado da União, previsto para a noite de hoje, em busca de pistas sobre novos passos da política comercial norte-americana.
Do lado monetário, Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve de Chicago, reforçou que a inflação dos EUA segue bem acima da meta de 2% e que patamares próximos a 3% não oferecem segurança. Ele lembrou que o crescimento econômico continua sólido, sem sinais claros de fraqueza no mercado de trabalho, e alertou para possíveis surpresas ao longo de 2026.
Em meio a esse pano de fundo, as ações de fintechs brasileiras mostraram resiliência e chamaram atenção de quem acompanha oportunidades em tecnologia financeira. Aqui no Bllitzbuy, seguimos monitorando os movimentos de mercado que podem impactar carteiras focadas em bancarização digital, milhas e benefícios de cartões de crédito.
No encerramento do pregão, a fotografia era de alívio para investidores que, um dia antes, haviam visto o setor desabar de forma generalizada. Resta saber se o fôlego desta terça-feira marca o início de um novo ciclo de ganhos ou apenas uma pausa no recente período de volatilidade.

