O PicPay mal completou seu primeiro mês como companhia aberta nos Estados Unidos e já conseguiu encurtar parte das perdas que assustaram investidores logo após o IPO.
Mesmo negociado ainda abaixo do preço de estreia, o papel voltou a chamar a atenção de quem acompanha o mercado — tanto que relatórios do Citi, do Mizuho e da FT Partners destacam o potencial de receita do banco digital da J&F.
Por que o PicPay chama atenção dos analistas logo após o IPO
Nesta terça-feira (24/2), às 16h25, a ação PICS valia US$ 17,13 na Nasdaq, alta de 9,7% em relação ao fechamento anterior. Ainda assim, o acumulado de 2026 exibe queda superior a 10%.
Para o Citi, esse recuo abre espaço para entrada. A casa iniciou cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 28 para dezembro de 2026. O Mizuho foi além, fixando o alvo em US$ 30 e também indicando desempenho superior ao mercado.
Ambos enxergam o mesmo gatilho: a empresa possui mais de 66 milhões de contas, mas somente 6% da base usa produtos de crédito. Se essa fatia crescer, a receita pode dar um salto. O Citi calcula carteira de empréstimos de R$ 21,5 bilhões já em 2025, praticamente o dobro do volume registrado em 2024.
Outro ponto de destaque é a estrutura enxuta. Segundo o Mizuho, o custo anual de atendimento gira em torno de R$ 18 por usuário, contra R$ 33 no Nubank e mais de R$ 400 nos grandes bancos. Ao evitar agência física, o PicPay sustenta margem maior e juros médios mais baixos.
A tecnologia de dados também pesa. Relatório da FT Partners mostra que o cruzamento do histórico da carteira digital com informações de Open Finance e da Guiabolso torna os modelos de crédito até três vezes mais precisos que os baseados somente em dados tradicionais.
Base gigante, crédito pequeno e muito espaço para crescer
As estimativas do Citi colocam a receita do PicPay em R$ 10,1 bilhões em 2025, avanço de 82% sobre 2024, com lucro ajustado de R$ 1,1 bilhão. O retorno sobre patrimônio deve rondar 20% e chegar a 31% em 2027 caso a estratégia se confirme.
Imagem: Fernando Barbosa
A ofensiva comercial prioriza quem já usa a carteira para pagamentos diários. Em vez de caçar correntistas nos bancos tradicionais, o app busca aprofundar a relação com os 42 milhões de usuários ativos trimestrais que já possui. Para analistas, esse caminho reduz custo de aquisição (CAC) e facilita a venda de cartões, seguros e investimentos.
A compra da seguradora Kovr, que receberá R$ 620 milhões dos recursos do IPO, fortalece essa oferta de produtos. O Citi avalia a transação em múltiplo próximo de três vezes o lucro estimado para 2026, reforçando a tese de diversificação de receitas.
Riscos no radar: inadimplência, câmbio e concorrência
Nem tudo é festa. Como mais da metade da carteira de crédito é sem garantia, um aumento na inadimplência pode pressionar margens. Mudanças regulatórias, como um eventual teto de juros para empréstimos pessoais, também entram no radar.
Há ainda o risco cambial: a receita vem em reais, enquanto o papel é negociado em dólar. Oscilações no câmbio podem diluir parte dos ganhos do investidor estrangeiro. E, claro, a disputa com Nubank, Inter e bancos tradicionais permanece acirrada.
Na visão dos analistas, contudo, o saldo segue positivo. A ação negocia a cerca de quatro vezes o preço sobre lucro projetado para 2027, versus múltiplo de oito vezes que o Mizuho considera justo. Se o plano de escalar o crédito sem elevar demais o risco prosperar, o PicPay tem caminho livre para reduzir o desconto em relação aos pares.
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