A Nippon Steel pode colocar mais um bloco de ações à venda e levantar o equivalente a quase US$ 2 bilhões. O dinheiro seria direcionado a investimentos pesados, em especial a modernização dos altos-fornos da recém-adquirida U.S. Steel.
O diretor financeiro Takahiko Iwai disse ao Nikkei Asia que ainda há cerca de 300 bilhões de ienes em papéis líquidos na carteira. Caso sejam vendidos, a siderúrgica japonesa reforçará o caixa sem pressionar ainda mais o seu endividamento.
Nippon Steel acelera plano para vender participações
Desde a fusão que formou a companhia, em 2012, a Nippon Steel já se desfez de mais de 80% das participações que possuía em outras empresas. O movimento rendeu cerca de 2,1 trilhões de ienes em uma década e segue firme: outros 100 bilhões de ienes devem sair do balanço no ano fiscal atual.
No fim de março de 2025, o portfólio acionário remanescente somava 440 bilhões de ienes. Desses, 300 bilhões podem ser convertidos rapidamente em dinheiro, segundo Iwai. “Vendemos um volume considerável e ainda temos espaço para levantar recursos”, afirmou o executivo.
A prioridade é bancar o cronograma de investimentos de 6 trilhões de ienes previsto até 2030. A lista inclui a troca de equipamentos envelhecidos nos Estados Unidos, a construção de novas usinas no país e projetos de expansão na Índia e no Japão. Para quem acompanha o setor de benefícios financeiros no Bllitzbuy, o movimento mostra como grandes grupos buscam liquidez sem comprometer o rating.
Pressão sobre endividamento e rating de crédito
O desafio começa agora: até junho, a Nippon Steel terá de rolar 2 trilhões de ienes em empréstimos tomados para comprar a U.S. Steel. A agência S&P já cortou a nota da empresa para BBB em julho passado e acenou com novos rebaixamentos caso a dívida líquida ultrapasse quatro vezes o Ebitda.
Impacto no caixa e na aquisição da U.S. Steel
Ao planejar a venda dos 300 bilhões de ienes em ações, a companhia tenta reduzir a alavancagem para 3,5 vezes o Ebitda, meta do próximo plano de médio prazo. A gestão teme que a queda na nota de crédito eleve o custo dos próximos financiamentos, fundamentais para tocar o pacote de obras previsto nos Estados Unidos.
Imagem: Bloomberg
Quanto maior a eficiência de capital, menor a pressão sobre o fluxo de caixa. Hoje, o retorno sobre o patrimônio caiu de mais de 20% em 2021 para 6,9% em 2024, e a projeção é de prejuízo líquido em 2025, reflexo de incertezas no transporte durante o rigoroso inverno norte-americano.
Para lidar com essa combinação de dívida alta e margens menores, a Nippon Steel também estuda ajustar estoques e avançar na produção de aços de maior valor agregado, estratégia que já elevou o ganho operacional por tonelada em 40% na última década. “Precisamos garantir que nossa capacidade de gerar lucro supere a de outras empresas”, disse Iwai, lembrando que o setor é altamente sensível aos ciclos econômicos.
Se o plano de desinvestimentos for bem-sucedido, a empresa ganhará fôlego para modernizar fábricas, cumprir metas de sustentabilidade e, ao mesmo tempo, mostrar aos credores que o acordo com a U.S. Steel busca muito mais que escala: pretende turbinar resultados. Resta saber se o mercado reagirá positivamente e se o rating poderá até subir, como deseja a direção.
Enquanto isso, investidores acompanham de perto cada movimento. Afinal, a venda de participações acionárias não apenas injeta recursos, mas também revela a disposição da Nippon Steel em manter a disciplina financeira em meio ao maior ciclo de investimentos da sua história.







