A Netflix está pronta para abrir ainda mais a carteira e, se necessário, aumentar a proposta para comprar a Warner Bros. Discovery, dona da HBO Max. A informação, revelada por duas fontes a par das conversas, mostra que a disputa com a Paramount–Skydance pode ganhar novos capítulos nas próximas semanas.
O lance atual da gigante do streaming soma US$ 82,7 bilhões, valor calculado em US$ 27,75 por ação. Já a Paramount colocou sobre a mesa US$ 108,4 bilhões pela companhia inteira, incluindo canais como CNN e HGTV. A diferença é grande, mas o caixa robusto da Netflix garante fôlego extra para cobrir um possível aumento rival.
Netflix tem margem de manobra para subir aposta
De acordo com interlocutores próximos às negociações, a Netflix dispõe de recursos suficientes para elevar o valor sem comprometer a saúde financeira do grupo. A companhia, que vem ampliando receitas com publicidade e cortando gastos operacionais desde 2022, mira o catálogo premium da Warner Bros., recheado de franquias como Harry Potter, Game of Thrones e o universo DC.
O interesse estratégico é claro: ter conteúdos exclusivos de forte apelo global ajudaria a segurar usuários e acelerar a venda de pacotes com anúncios, segmento que o estudo da Warc projeta faturar mais de US$ 8 bilhões anuais até 2030. Esse potencial torna o negócio ainda mais atraente para investidores.
Mesmo com a votação de acionistas marcada para 20 de março, o conselho da Warner concedeu à Paramount uma semana para turbinar sua própria oferta. Caso isso aconteça, fontes indicam que os executivos da Netflix estão prontos para responder na mesma moeda, reforçando a percepção de duelo “lance a lance”.
Por que o catálogo da Warner vale tanto?
Além do prestígio das marcas, a biblioteca da Warner garante receita estável com licenciamento, parques temáticos e produtos de consumo. Num mercado de streaming saturado, ter IPs icônicas reduz custos de aquisição de assinantes e cria múltiplas fontes de caixa a longo prazo—algo que pesa na avaliação bilionária.
Outro ponto decisivo é a sinergia tecnológica. A plataforma da Netflix, considerada referência em recomendação de conteúdo, poderia impulsionar ainda mais a audiência de títulos consolidados, prolongando o ciclo de vida das produções e aumentando o retorno sobre o investimento.
Imagem: Internet
Próximos passos e cronograma da disputa
O calendário é apertado. Até 20 de março, acionistas da Warner Bros. votarão sobre a proposta inicial da Netflix. Paralelamente, a Paramount–Skydance tem até uma semana antes da assembleia para oficializar um valor maior. Se isso acontecer, abre-se nova rodada de negociações, possivelmente estendendo a data final.
Nos bastidores, ambas as interessadas mantêm silêncio oficial e recusaram comentários. Apesar da disputa, analistas avaliam que o leilão favorece os acionistas da Warner, que podem testemunhar uma escalada de preços caso as pretendentes mantenham a rivalidade.
O portal Cartão e Milhas acompanha de perto o desenrolar do negócio, atento aos impactos financeiros que a possível fusão trará para o mercado de mídia e, por tabela, para investidores interessados em novas oportunidades de rentabilizar seus portfólios.
Por ora, resta aguardar os próximos movimentos. Se a Paramount subir a parada, tudo indica que a Netflix não hesitará em responder, reforçando a disputa por um dos catálogos mais cobiçados do entretenimento global.








