Por Raquel Rios – Fundadora do Blog Cartão e Milhas.

Comprar milhas baratas e vender quando o preço sobe parece um bom negócio, mas será que milhas como investimento realmente valem a pena? Nesta análise de 2026, vou mostrar os riscos, custos ocultos e a real rentabilidade dessa estratégia.
Como funcionaria o investimento em milhas?
A ideia é simples: comprar milhas em promoção (ex: R$ 14 o milheiro) e vender depois para intermediadoras ou para terceiros quando o preço subir (ex: R$ 22). A diferença seria o lucro. Mas milhas como investimento tem peculiaridades que o tornam muito diferente de ações ou renda fixa.
Os custos e riscos de milhas como investimento
Custos
- Compra das milhas (capital imobilizado)
- Taxas de manutenção (anuidade de clube, se usar)
- Taxas de transferência (alguns programas cobram)
- Imposto de Renda sobre o lucro (até 27,5%)
- Risco de desvalorização – milhas podem expirar ou o programa desvalorizar os pontos.
Riscos específicos
- Expiração – você pode ficar com milhas que perderam validade antes da venda.
- Mudanças nas regras – programas podem cortar bônus ou desvalorizar pontos do dia para a noite.
- Falta de liquidez – vender grandes quantidades rapidamente é difícil.
- Proibição contratual – a maioria dos programas proíbe a venda comercial de milhas, podendo bloquear sua conta.
Portanto, milhas como investimento não é recomendado para iniciantes.
Rentabilidade real (simulação 2026)
Supondo que você compre 100.000 milhas Livelo por R$ 14/milheiro → custo R$ 1.400. Após 6 meses, consegue vender por R$ 20/milheiro → receita R$ 2.000. Lucro bruto R$ 600.
Descontos: IR (27,5% sobre o lucro) = R$ 165, taxas de transferência (R$ 50) → lucro líquido R$ 385. Rentabilidade líquida = 27,5% em 6 meses (~55% ao ano). Parece bom, mas o risco é altíssimo.
Se as milhas expirarem ou o preço cair para R$ 12, seu prejuízo será de R$ 200 + custos. Milhas como investimento tem volatilidade maior que criptomoedas.
Alternativas mais seguras ao investimento em milhas
- Acumular milhas para uso próprio – viagens com desconto garantido.
- Investir em renda fixa (CDB, Tesouro Selic) com rentabilidade real de 6% a.a. sem risco.
- Comprar milhas apenas para emissão de passagens de alto valor (ex: primeira classe internacional).
Se você quer milhas como investimento, limite-se a pequenas quantias e esteja preparado para perder.
🔍 Descubra modelos similares
O Banco Central do Brasil (BCB) estabelece regras claras para os programas de fidelidade associados a cartões de crédito. De acordo com a Resolução CMN nº 3.919/2010, existem duas modalidades principais: o cartão básico, destinado exclusivamente a pagamentos, que não pode ser vinculado a qualquer programa de benefícios ou recompensas. Já o cartão diferenciado, além da função de pagamento, pode oferecer vantagens como acúmulo de milhas, seguros de viagem, descontos em estabelecimentos e outros benefícios. A anuidade cobrada por esse tipo de cartão deve obrigatoriamente englobar todos esses benefícios adicionais, sendo vedada a cobrança de tarifas extras para cada serviço de recompensa.
Para garantir a transparência, o BC exige que os emissores detalhem no contrato todos os benefícios e recompensas vinculados ao cartão diferenciado, além de divulgar uma tabela específica com as tarifas praticadas. A Cartilha do Cartão de Crédito do BC reforça que o consumidor tem o direito de optar pelo cartão básico, que possui a menor anuidade, ou pelo diferenciado, com os benefícios agregados. Fique atento: os programas de fidelidade devem ser claros e não podem esconder custos abusivos. Consulte sempre o regulamento do seu cartão e exija informações completas.
📌 Fontes oficiais:
Perguntas frequentes FAQ
É legal comprar e vender milhas?
A compra e venda entre pessoas físicas é uma área cinzenta. A maioria dos programas proíbe em seus termos, mas na prática é tolerada. Milhas como investimento profissional pode levar ao bloqueio da conta.
Qual a rentabilidade média de milhas como investimento?
Historicamente, entre 20% e 40% ao ano em momentos de alta, mas com risco de perda total. Não é comparável a investimentos tradicionais.
Vale mais a pena comprar milhas para revender ou para viajar?
Para viajar, o retorno é certo (você economiza na passagem). Para revender, o risco é alto. Recomendo usar milhas para viagens, não como ativo financeiro.
Próximos passos
👉Preencha nosso formulário gratuito: e descubra estratégias mais seguras para maximizar suas milhas sem correr riscos.






