A LATAM Brasil entrou em 2026 comemorando uma virada de jogo rara no setor aéreo. Depois de uma profunda reestruturação da LATAM, a companhia afirma estar mais preparada para turbulências externas e pronta para crescer sem abrir mão de margem.
No Fórum Panrotas, realizado em 3 e 4 de março, o CEO Jerome Cadier contou como dívida reorganizada, custos enxutos e foco no passageiro corporativo viraram antídoto contra a tradicional volatilidade do mercado. A plateia, composta por agentes de viagem, executivos e entusiastas de milhas, ouviu atentos.
Reestruturação da LATAM fortalece operação
A reestruturação da LATAM, citada várias vezes por Cadier, envolveu corte rígido de custos e renegociação ampla de passivos. Nas palavras do executivo, “preparar o negócio para eventuais turbulências” significa ter flexibilidade para crescer ou encolher conforme o cenário exige.
Esse ajuste trouxe resultados visíveis: o Net Promoter Score (NPS) saltou de 19, em 2018, para 55 pontos. Entre clientes de categorias superiores, o índice atingiu 61 em 2025, mostrando que a proposta de valor está, de fato, sendo percebida.
Além do ganho em reputação, a LATAM garante ter reduzido a exposição a variações cambiais e de combustível, dois vilões históricos do setor. Ao reformular contratos e otimizar rotas, a companhia diz conseguir preservar caixa mesmo em contextos adversos.
Foco no viajante corporativo e expansão regional
Se o pilar financeiro está em dia, a segunda perna da estratégia mira o público corporativo de alto valor. A meta é manter a cabine Business cheia, ampliar a conectividade e oferecer benefícios que fidelizem quem viaja a trabalho — um perfil acostumado a programas de milhagem, upgrade de categoria e salas VIP.
Durante o evento, Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing, reforçou investimentos nesse sentido: nova Sala VIP em Guarulhos, internet a bordo em aeronaves widebody e modernização da cabine Business. Tudo pensado para diferenciar a experiência do passageiro de negócios.
Imagem: Internet
Outra carta na manga é a joint venture com a Delta Air Lines, que completará três anos em 2025. O estande das duas empresas no Fórum atraiu profissionais curiosos com a promessa de acesso integrado a mais de 300 destinos, ampliando oportunidades de acúmulo e resgate de milhas.
Chegada dos Embraer E195-E2
Para aumentar capilaridade, a companhia anunciou a incorporação de jatos Embraer E195-E2 no último trimestre de 2026. Segundo Cadier, o modelo dará flexibilidade para servir rotas regionais e abrir novos mercados, algo essencial para manter a malha ajustada à demanda.
Essas aeronaves, mais eficientes em consumo, também ajudam a segurar custos — tema recorrente na reestruturação da LATAM. E, convenhamos, quem coleciona pontos no Cartão e Milhas sabe que novas rotas significam mais oportunidades de acumular viagens e benefícios.
Por fim, a executiva Aline Mafra fez questão de destacar o papel das agências de viagem. “Elas chegam onde não chegamos e conhecem a fundo nossos produtos.” A mensagem é clara: parceria continua sendo palavra-chave para distribuir assentos, vender pacotes e expor as vantagens competitivas obtidas após a reestruturação da LATAM.
Com números de satisfação em alta, frota modernizada a caminho e alianças estratégicas sólidas, a empresa quer provar que aprendeu a lição das crises recentes. Resta acompanhar se essa engenharia financeira e comercial sustentará o ritmo num mercado que, como bem lembrou Cadier, não perdoa quem perde eficiência.







