A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) avalia retomar o aumento de produção em abril, após três meses de pausa. A medida colocaria mais 137 mil barris por dia no mercado, volume equivalente ao acordado nos últimos trimestres de 2025.
Fontes próximas às negociações afirmam que a decisão será debatida em 1.º de março, quando oito grandes produtores se reúnem. O objetivo é enfrentar a alta sazonal de consumo no verão do hemisfério norte e conter a escalada de preços provocada pela tensão entre Estados Unidos e Irã.
Planejamento da Opep+ para ampliar a oferta de petróleo
Segundo três fontes ouvidas, o incremento de 137 mil barris diários desponta como cenário “mais provável” para abril. O patamar repetiria o ajuste adotado em outubro, novembro e dezembro do ano passado, consolidando a estratégia de repor parte da oferta antes das férias no hemisfério norte.
Participam da decisão Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã. Juntos, esses oito países já elevaram suas metas em 2,9 milhões de barris por dia entre abril e dezembro de 2025, equivalente a 3% da demanda global. O cronograma ficou congelado de janeiro a março de 2026, quando o consumo costuma cair.
A possível retomada também serviria para que sauditas e emiradenses recuperem participação de mercado, perdida enquanto Rússia e Irã lidam com sanções ocidentais e o Cazaquistão enfrenta interrupções técnicas. A aliança responde por cerca de metade da produção mundial de petróleo.
Cenário geopolítico eleva pressão sobre preços
O barril do Brent negocia perto de 71 dólares, pouco abaixo do pico de sete meses (72,50 dólares) alcançado após novos atritos entre Washington e Teerã. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou considerar um ataque ao Irã para forçar um acordo nuclear, movimento que poderia afetar o fluxo de petróleo do Oriente Médio.
Preocupada com esse risco, a Arábia Saudita já ativou um plano de contingência. De acordo com duas fontes, Riad prepara elevação imediata da produção e das exportações caso uma ofensiva americana interrompa rotas vitais da região.
Imagem: Bloomberg
Como a Arábia Saudita se prepara
O governo saudita, maior exportador global, mantém capacidade ociosa suficiente para responder rapidamente a choques de oferta. A estratégia inclui redirecionar carregamentos e usar estoques estratégicos espalhados por terminais na Ásia, na Europa e na costa leste dos EUA.
Se o plano for executado, o reino poderia suavizar oscilações de preço e, ao mesmo tempo, reforçar sua influência dentro da Opep+. Para observadores do mercado, o movimento demonstra o peso saudita nas negociações e aumenta a probabilidade de aprovação do aumento de 137 mil barris por dia em abril.
Apesar das expectativas, uma quarta fonte admite que a Opep+ ainda pode manter a produção inalterada para abril, caso avalie que a demanda não cresça como previsto. A confirmação só virá após a reunião ministerial de 1.º de março.
No curto prazo, o mercado seguirá atento às discussões e ao desenrolar das relações EUA–Irã. Investidores e leitores do Bllitzbuy acompanham de perto cada passo, de olho nos reflexos sobre preços, inflação e, claro, seus investimentos.

