Pressionado por custos operacionais e consumidores mais sensíveis a preços, o varejo brasileiro entrou em 2026 com a missão de fazer mais com menos. Mesmo com previsão de avanço nominal de 2,8% em janeiro e 2,6% em fevereiro, números do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) indicam retração real de 1,6% e 1,1% no período, quando a inflação é descontada.
Na prática, as redes vendem mais em cifras, mas levam menos lucro para o caixa. Juros elevados, promoções intensas e estoques fora de lugar completam a equação que desgasta as margens e obriga gestores a rever, com urgência, suas estratégias para o varejo brasileiro em 2026.
Varejo brasileiro em 2026: flexibilidade vira regra e não exceção
Levantamento da plataforma de planejamento empresarial o9 Solutions mostra que reagir em tempo quase real à mudança de demanda é a prioridade número um das redes este ano. Gabriel Vasconcellos, CEO Latam da companhia, resume: “Flexibilidade tem custo, mas a falta dela custa ainda mais caro”.
Muitas empresas, porém, ainda operam com sistemas legados e planilhas que atrasam relatórios e dificultam decisões integradas. O resultado é capital imobilizado em estoques superdimensionados de um lado e prateleiras vazias do outro, cenário que corrói margens justamente quando cada centavo importa.
Para quem aposta no omnichannel, o desafio sobe de nível. Modelos como buy online, pick up in store fragmentam o inventário e exigem que o produto esteja próximo do ponto de consumo. Sem base de dados única e visão financeira integrada, sobra ruptura em lojas de alta saída e mercadoria parada em unidades de giro lento.
IA sobe de coadjuvante a pilar das decisões estratégicas
A inteligência artificial deixou de ser acessório analítico e passou a ser o eixo do planejamento no varejo brasileiro em 2026. Com cálculos avançados, a IA tradicional equilibra oferta e demanda, otimiza estoque e aponta o impacto de cada escolha no caixa da empresa.
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Já a camada generativa, caso da Agentic AI da o9 Solutions, interpreta esses cenários, destaca riscos e sugere rotas de ação. Dessa forma, executivos saem de um modelo reativo para um ciclo contínuo de ajustes em preço, sortimento e abastecimento – exatamente o que o ambiente volátil exige.
Empresas que iniciaram cedo a integração de dados colhem resultados em velocidade e precisão. Para quem ainda está no começo, 2026 será o ano de fechar lacunas na qualidade das informações, padronizar processos e priorizar casos de uso de alto retorno.
Estoque enxuto, margem protegida, decisão acelerada
A combinação de flexibilidade operacional e IA coloca três temas no centro da mesa: onde posicionar o estoque, quanto investir em cada canal e qual impacto imediato sobre margem e capital de giro. A lógica deixou de ser “quanto vou vender” e passou a ser “onde atendo essa demanda e a que custo”.
Segundo Vasconcellos, quem alinhar áreas comercial, financeira e logística aumenta a resiliência para enfrentar juros altos e a flutuação do consumo. O Cartão e Milhas observa que esse alinhamento também abre espaço para renegociar prazos com fornecedores, liberar caixa e, consequentemente, oferecer condições mais atrativas — inclusive para clientes que buscam aproveitar benefícios de cartões de crédito e acumular milhas.

