Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, anunciou que vai se afastar do corpo docente da Universidade de Harvard. A decisão chega depois que documentos do Congresso revelaram trocas de mensagens entre ele e o financista condenado Jeffrey Epstein. O comunicado foi divulgado nesta quarta-feira (25) e surpreendeu a comunidade acadêmica.
Summers, que presidiu Harvard de 2001 a 2006, informou que a renúncia passa a valer no fim do ano letivo. Ele já estava afastado desde novembro, quando a correspondência veio a público. Para os leitores do Bllitzbuy, sempre atentos aos bastidores do mercado financeiro, a saída do economista lança luz sobre a influência de antigas redes de contato no universo das elites globais.
Renúncia encerra cinco décadas de vínculo com a universidade
No comunicado, Summers classificou a decisão como “difícil” e lembrou que chegou a Harvard há 50 anos, ainda como estudante de pós-graduação. Ao longo desse período, ocupou cargos de destaque, entre eles o de presidente da instituição e o de professor na Kennedy School.
“Serei eternamente grato aos milhares de estudantes e colegas com quem trabalhei”, afirmou. Ele acrescentou que, livre de responsabilidades formais, pretende focar em pesquisa, análises e comentários sobre questões econômicas globais.
Jason Newton, porta-voz de Harvard, confirmou que o reitor da Kennedy School, Jeremy Weinstein, aceitou a renúncia de Summers como co-diretor do Mossavar-Rahmani Center for Business and Government. A universidade continua revisando a situação de todos os nomes citados nos arquivos de Epstein.
Documentos com Epstein precipitaram afastamento
A crise ganhou força em novembro, quando o Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA divulgou e-mails que mostravam uma relação próxima entre Summers e Epstein. As mensagens tratavam de temas que iam da vida acadêmica a comentários sobre o então presidente Donald Trump.
Imagem: Internet
Consequências profissionais
Pouco depois da divulgação dos arquivos, Summers declarou-se “profundamente envergonhado” e deixou o conselho da OpenAI, criadora do ChatGPT. Ele também entrou em licença da função de diretor na escola de negócios e governo de Harvard, movimento que precedeu a decisão definitiva anunciada agora.
O economista chefiou o Tesouro norte-americano de 1999 a 2001, durante o governo Bill Clinton, e manteve forte influência em políticas econômicas globais. Contudo, os laços com Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais, tornaram-se um passivo cada vez mais difícil de contornar.
Ao final do ano acadêmico, Summers encerrará oficialmente sua trajetória como professor emérito. Enquanto isso, Harvard segue examinando o envolvimento de outras figuras listadas nos documentos do financista, num processo que deve se estender pelos próximos meses.

